PARECE MENTIRA
Certa feita, há muitos anos atrás (mais de vinte), nosso amigo Rodrigo, na época em que era agente penitenciário em Charqueadas, e convivia diariamente com o bandido Papagaio, que, segundo ele, era uma pessoa muito boa, foi visitar sua irmã, Fernandinha, em Porto Alegre.
Em virtude da idade e por, já naquele tempo, a gravidade exercer uma força atrativa muito forte sobre seu órgão gozador, dificultando muito o entrosamento com a mulherada, Rodrigaço resolveu não ir para balada. Locou um filme, comprou uns pirulitos, colocou um samba-canção bem folgado e se atirou no sofá.
O orvalho já caia na madrugada fria de janeiro quando, no meio do filme, toca a campainha do apê.
Gaço, que já estava quase caindo nos braços de Morfeu, pois o filme tava um cu (de homem, porque o de mulher é um luxo), dá uma coçada no saco e vai olhar no furinho mágico.
Seus olhinhos brilharam de alegria, estava à porta uma menininha do prédio que ele andava pegando. Mais que depressa, abriu a porta, convidou-a para entrar. Ela disse que viera ali para pedir um CD emprestado. Gaço, se valendo de sua vasta experiência, sabia que não podia perder a oportunidade de tirar o pé do barro, o dedo do cu, esvaziar as bolas, enfim, comer a menininha. Então, largou esta: - Fica aí, vamo chupar um pirulito e ver um filme. A menina adorava um pirulito, mas mesmo assim fez charminho, - será que sim ? acho que não. Rodrigo, que estava com uma mão na maçaneta, a outra na cintura, seu samba-canção da Nike (patrocinadora oficial de suas noites de festa) segurando a barriguinha, ou seja, estava um charme, soltou mais essa: - olha, se tu não quer pirulito a gente pode fritar uns ovos, que tal ? depois desta a guria se obrigou a entrar. Pobre menina, mal sabia o que lhe esperava, mal colocou o pé para dentro do apartamento, Gaço já foi se insinuando, meio sem jeito para junto da guria. Se o nosso amigo Toro da Mariana Élito do Névio estivesse presenciando a cena, certamente diria que Digues parecia uma Capivara Gorda cruzada com Cobra Verde Mal Matada. Mas, apesar da postura ridícula do nosso conquistador, a menininha foi cedendo, pois não tinha nada melhor para fazer.
O clima começou esquentar, Gaço já estava visualizando os louros da vitória de mais essa conquista, depois de tanto tempo sem lidar com o produto.
Aí, acontece o inesperado, toca a campainha do apartamento. Este momento merece uma pausa para que reflitamos no enorme azar que passou a assolar a foda eminente do nosso grande amigo. Aqueles que já conhecem a história, com certeza, nessa hora, sentem um frio na espinha. Os que não conhecem, preparem-se, pois passarão a conhecer o caso mais bizarro que já aconteceu de uma foda que, num momento é evidente e no outro torna-se impossível. Bem, retomemos a história.
Toca a campainha. A menina, prevendo a tragédia, avisa: - não abre, é o meu pai. Gaço não acredita: tá louca guria, o que teu pai vai tá fazendo aqui ? – faz tempo que ele tá nos observando, disse que não é pra mim me envolver com qualquer vagabundo. Digues não acredita, vai até o olhinho de porco mágico e confirma: é o pai da menina. Ele só não se cagou por que o principal efeito colateral do viagra é atrasar a bosta. - E agora, tchê, que que fizemos? A menininha respondeu: - olha, tu quer abrir abre, só que meu pai é brigadiano há 25 anos, pratica jiu-jitsu e boxe tailândes e seu hobby predileto é dá tiro em marginal lá na vila sapo. Desta vez não teve jeito, nosso amigo cagou-se. Toca a campainha de novo, o velho já estava impaciente. “Bueno - pensou Gaço - vou abrir, ele não vai fazer nada comigo, vai me olhar e vai ter pena de mim, com essa minha cara de coitado”. Abriu a porta. Agora, senhores, peço mais um minuto de sua máxima atenção, preparem-se para os acontecimentos bisonhos que virão a seguir. Tirem as crianças da sala.
Com a porta ainda entreaberta o soco veio, um cruzado de direita que pegou lá do lado esquerdo (é claro, se era um cruzado) o choque aconteceu na altura da mandíbula, Rodrigo cambaleou, deu dois passos para trás, veio outro cruzado, agora de esquerda, esquivou-se, e quando o cidadão foi para frente com o impulso que havia dado ele saracotiou e agarrou o velho por trás, deu-lhe o golpe que se chama “ai,ai meu bem”, enlaçou-o e imobilizou-lhe os braços.
Desse jeito, agarrados, perambularam pela sala, o velho tentando desvencilhar-se e o Rodrigaço, cocheando-o, não soltava de jeito nenhum. Os mais impacientes perguntarão: E a china? Ela assistia a tudo, chupando o pirulito e gritando.
Bueno, voltamos pra peleia. Já tinha se passado muito tempo, mais ou menos uma meia hora, ambos estavam cansados, já haviam quebrado quase todo o apartamento, inclusive uma bailarina de porcelana que era de estimação. Rodrigaço, que já estava no limite de suas forças, resolveu aplicar o golpe terminativo, aquele que faz até touro ajoelhar, que era sua especialidade, desde os tempos de Alpestre, tendo ele inclusive se valido muitas vezes deste golpe para imobilizar os presidiários em charqueadas. Sem pestanejar tirou os braços da posição em que estavam, imobilizando o adversário, e, ato contínuo, agarrou no saco do velho, com as duas mãos. Apertou com toda força. O velhinho chegou lacrimejar. - Te entrega, galo cinze ? perguntou Rodrigo. O velho já estava ficando roxo, mas não se entregava, tentando escapar do enlace. Olha, gurizada, vou lhes dizer uma coisa, não tem pessoa no mundo que saiba melhor do que nosso amigo a aplicar o golpe do “aperta saco”, foram anos de treinamento. O velhinho já tava falando fino e teve que se entregar. Cansado e andando de cócoras o pai da menina foi saindo do apartamento. Gaço, que também estava cansado já nem queria saber de comer a menininha, mandou que fosse embora, sentou no sofá e voltou a chupar seu pirulitinho.
Pois é gurizada, o episódio se deu mais ou menos assim, esta é mais uma história venérica, que parece mentira, do bodegueiro Vovô. E quem provar que não é verdade ganha um pirulito.
por madruga.
Escrito por Bodegueiros às 17h24
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